/Pregando para pecadores como nós – O Foco da Condição Decaída (FCD)

Pregando para pecadores como nós – O Foco da Condição Decaída (FCD)

Toda mensagem da Bíblia é cristocêntrica, ou seja, tem a pessoa de Jesus Cristo e a Sua obra de salvação dos pecadores como foco principal. No entanto é com pesar que constatamos que nem toda pregação, apesar de ser bíblica, é cristocêntrica. E apesar de ser Bíblica, não revela a  nossa condição pecaminosa.

Mas como isso pode acontecer? Se um pregador se compromete com a pregação Bíblica, e toda mensagem Bíblica gravita em torno de Jesus Cristo, como a mensagem de perdão, de salvação, de nova vida, e de vida eterna através de Jesus Cristo pode ficar fora de nossos púlpitos? Como nossa condição enferma. pode ser evitada?

Esta situação pode ocorrer quando o pegador não identifica no texto Bíblico o FCD ou Foco da Condição Decaída. No livro Pregação Cristocentrica, Bryan Chappel aborda este assunto, como meio fundamental para identificarmos o objetivo (a mensagem) da passagem que será pregada.

E o que seria o FCD?

A Bíblia nos assegura que há uma razão para cada passagem nela contida, e ela claramente nos afirma a natureza básica desse propósito. O apóstolo Paulo escreve:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”
(2Tm 3.16, 17).

Paulo indica que Deus quer, por meio de sua Palavra, “completar-nos”. Esta é a razão por que a Almeida Revista e Atualizada interpreta o verso 17 da passagem como “que o homem de Deus seja perfeito”. Deus pretende por meio de cada passagem da sua Palavra (isto é, “toda Escritura”) tomar-nos mais semelhantes a ele mesmo.

Uma vez que Deus destinou a Bíblia para nos tornar completos, seu conteúdo indica necessariamente que em algum sentido somos incompletos. Nossa falta de inteireza é a conseqüência da condição decaída em que vivemos. Aspectos desta decadência que são refletidos em nossa própria condição pecaminosa e nosso mundo arruinado mostram a necessidade da instrução e construção da Escritura.

Paulo escreve:

“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”
(Rm 15.4).

O estado corrupto de nosso mundo e do nosso ser clamam pelo auxílio de Deus. Ele responde com sua Palavra, centralizando sua atenção sobre alguma faceta de nossa necessidade em cada porção dela. Nossa esperança reside na certeza de que toda a Escritura tem um Foco da Condição Decaída (FCD). Deus se recusa a abandonar seus filhos, frágeis e pecadores, sem guia ou defesa num mundo antagônico ao bem-estar espiritual deles. Nenhum texto foi escrito e destinado às pessoas do passado somente; Deus pretende em cada texto da Escritura dar-nos a “paciência e o incentivo” de que hoje necessitamos. O FCD é a condição humana recíproca que os crentes contemporâneos compartilham com aqueles ou aquele a quem o texto foi escrito que requer a graça da passagem.

Visto que um FCD resplandece por trás de toda Escritura, uma pregação ciente desse fato luta tenazmente para desvendar esse propósito em cada passagem. […] O FCD indica o real assunto da mensagem, desde que é o verdadeiro propósito para a passagem. […] Esse modo de proceder faz sentido quando lembramos que o conteúdo do texto é a resposta de Deus para um aspecto de nossa condição decaída. O FCD ajusta o tom, determina a abordagem e organiza a informação no sermão.

Portanto, como determinar o FCD?

A compreensão própria de uma passagem e a formação de um sermão exige um claro FCD.

Sem determinar um FCD não podemos saber, de fato, com que a Escritura se preocupa, mesmo se já conhecemos muitos fatos verdadeiros acerca da passagem. Precisamos perguntar: “Qual foi o FCD que requereu o registro desse texto?” antes de expor corretamente o seu significado. O FCD nos habilita a interpretar de maneira adequada a passagem, comunicar seu conteúdo a dar à congregação o motivo para ouvir, procedente do próprio Espírito Santo.

Pecados específicos são freqüentemente o FCD da passagem, mas um pecado nem sempre tem de ser o FCD do sermão. Aflição, doença, desejo intenso pelo retorno do Senhor, a necessidade de saber como compartilhar o evangelho e o desejo de ser melhor pai, não são pecados, mas são necessidades que nossa condição decaída impõem e para qual as Escrituras chamam a atenção. Assim como a ganância, a rebelião, a luxúria, a irresponsabilidade, a administração improdutiva e o orgulho são assuntos próprios de um sermão, também são o desejo de criar filhos piedosos, identificar a vontade de Deus e entender os próprios dons.

Um FCD não precisa ser alguma coisa da qual somos culpados. Simplesmente precisa ser um aspecto da condição humana que pede a instrução, admoestação e/ou conforto da Escritura.

A personalidade do pregador, as circunstâncias da congregação, e a ênfase de um sermão em particular podem fazer com que a declaração do FCD varie grandemente. Uma passagem cujo foco central seja a confiança na providência de Deus pode igualmente bem indicar a necessidade de descansar em Deus nas horas difíceis, a responsabilidade de ensinar os outros a respeito do cuidado constante de Deus, ou o pecado de duvidar da provisão de Deus.

O pregador precisa ser capaz de demonstrar que o texto indica o FCD da mensagem, não que este FCD do sermão seja o único possível para esse texto.

Visto que o FCD pode variar grandemente de texto para texto, e pode variar nos sermões pregados sobre um mesmo texto, os pregadores precisam estar certos de que o propósito dos seus sermões permaneça sendo o propósito da passagem. O seu FCD permanecerá fiel ao texto e identificará propósitos poderosos para seu sermão se você fizer três perguntas:

1. O que o texto quer dizer?
2. De que interesse(s) o texto tratou (no seu contexto)?
3. O que os ouvintes têm em comum com aqueles a quem (ou acerca de) o texto foi escrito, ou a pessoa por quem foi escrito?

Ao identificar a semelhança da condição dos nossos ouvintes com a do escritor bíblico, do assunto, e/ou do auditório, determinamos por que o texto foi escrito, não apenas para os tempos bíblicos, mas também para o nosso tempo.

Trecho extraído da obra Pregação Cristocêntrica, de Bryan Chapell.

O FCD revela a nossa necessidade de Deus, revela a nossa dependência de Deus, revela a nossa incapacidade de tratar de nossas dificuldades por nós mesmos, e como resposta a esta condição, o FCD deve apontar para Cristo que salva o Seu povo dos seus pecados.

Portanto, o FCD será sempre acompanhado do Aspecto Redentivo da mensagem.

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Pregador e instrutor bíblico, historiador e editor do site http://pregandoapalavra.com.br