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Oração Temporã

por Charles Spurgeon

“Por que clamas a mim?” (Êx 14.15).

Pode chegar a ocasião quando esta pergunta tem de ser feita, mesmo a um homem como Moisés. Há um período quando clamar deveria ceder o lugar à ação; quando a oração é ouvida e o Mar Vermelho se abre, seria vergonhosa desobediência permanecer tremendo e orando.

I. ÀS VEZES, NOSSA RESPOSTA SERÁ MUlTO lNSATISFATÓRIA

  1. Porque fui educado para fazer assim.
    Alguns têm demonstrado total hipocrisia pela repetição de fórmulas de oração, aprendidas na infância.
  2. Faz parte de minha religião.
    Esses tais oram como um dervixe dança ou um faquir mantém o braço erguido para o alto; nada sabem porém, da realidade espiritual da oração (Mt 6.7)
  3. Em minha mente, acho mais fácil fazer assim.
    Acha mesmo tudo mais fácil? Não se pode dar o caso de que suas orações formais escarneçam de Deus e, assim aumentem seu pecado? (Ez 20.31)

II. ÀS VEZES, NOSSA RESPOSTA REVELARÁ IGNORÂNCIA

  1. Quando ela impede o arrependimento imediato.
    Em vez de deixar o pecado e lamentá-lo, algumas pessoas falam em orar. “Obedecer é melhor do que sacrificar”, e é melhor que as súplicas.
  2. Quando impede a Fé em Jesus.
    O evangelho não é “orar e ser salvo”; e sim, “crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Mt 7.21; Jo 6.47).
  3. Quando supomos que ela nos adapta a Jesus.
    Devemos ir à Ele como pecadores, e não apresentar nossas orações como ostentação de justiça (Lc 18.11-12).

III. ÀS VEZES, NOSSA RESPOSTA SERÁ PERFEITAMENTE CORRETA

  1. Porque é meu dever: Estou em dificuldades e devo orar ou perecer.
    Suspiros e clamores não são feitos para ordenar; mas são as explosões irresistíveis.do coração (Sl 42.1; Rm 8.26).
  2. Porque sei que serei ouvido, sinto, portanto, forte desejo de me dirigir a Deus, em súplica. “Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto eu viver” (Sl 116.2).
  3. Por que nela me deleito; ela me traz descanso à mente e esperança ao coração.
    Ela é um meio suave de comunhão com o meu Deus.
    “Quanto a mim, bom é estar junto a Deus” (Sl 73.28).
  4. Onde devem estar aqueles que dependem de suas próprias orações?
    Quais são aqueles que vivem sem orar?
    Quais são aqueles que não podem apresentar motivos para orar, mas repetem, supersticiosamente, palavras sem sentido?

Uma ansiosa indagadora, a quem apresentei claramente a grande ordem do evangelho, “crê no Senhor Jesus”, constantemente frustava minhas tentativas de afastá-la do seu ego e levá-la a Cristo. Por fim ela gritou: “Ore por mim! Ore por mim!”

Parece que ela ficou grandemente chocada, quando afirmei: “Não farei tal coisa. Já orei por você; mas, se você se recusa a crer na Palavra do Senhor, não vejo nenhum motivo para que eu ore. O Senhor pede que você creia em Seu Filho e, se você não crê, mas persiste em fazer de Deus mentiroso, você perecerá, e bem o merece”. Isso a fez cair em si.

Ela rogou-me de novo que lhe dissesse qual o caminho da salvação, e a recebeu calmamente, como uma criança. Seu corpo tremia, sua face brilhava, e ela bradou: “Senhor, posso crer; de fato, eu creio e estou salva. Agradeço-lhe o recusar-se a consolar-me em minha descrença”. Depois, ela disse mui suavemente: “Não quer orar por mim agora?” Certamente o fiz, e juntos nos regozijamos, porque ela podia apresentar a oração da fé.

No grande degelo de um dos rios norte-americanos, havia um homem sobre um dos blocos de gelo, que ainda não se separara da massa intacta. Em seu horror, contudo, não percebeu isso, mas ajoelhou-se e começou a orar em voz alta, para que Deus o livrasse. Os espectadores que se encontravam na praia gritaram-lhe: “Homem, pare de orar e corra para praia”. Isso é o que eu diria a alguns: “Não descansem na oração, mas creiam em Jesus”.

Certa ocasião, quando Bunyan se esforçava por orar,  o tentador sugeriu-lhe “que nem a misericórdia de Deus, nem ainda o sangue de Cristo, de modo algum interessados nele, poderiam ajudá-lo, devido ao seu pecado. Portanto era inútil orar”. Entretanto, pensou ele consigo mesmo: “Vou orar”, “Mas”, disse o tentador, “seu pecado é imperdoável”. “Bem”, disse ele, “vou orar”. E começou a orar assim: “Senhor, satanás me diz que nem a sua misericórdia e nem o sangue de Cristo são suficientes para salvar a minha alma. Senhor, devo honrar mais a ti, crendo que queres e podes, ou a ele, crendo que tu nem queres e nem podes? Senhor, de bom grado te honraria, crendo  que tu podes e queres”. E enquanto assim falava, “como alguém lhe tivesse  dado um tapinha nas costas”, veio-lhe à mente este texto das Escrituras: “Homem, grande é a tua fé.”

 

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Pregador e instrutor bíblico, historiador e editor do site http://pregandoapalavra.com.br